Porque é que as músicas de Natal despertam emoções e memórias?
- Tatiana Morais

- 13 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Com a aproximação do Natal, as ruas enchem-se de luzes e as rádios tocam músicas familiares que despertam emoções e memórias. Mas o que faz com que uma simples canção tenha o poder de nos transportar no tempo? A resposta está no cérebro, mais precisamente no sistema límbico, onde a música e a emoção se encontram.
É uma manhã fria e chuvosa de novembro. Estou atrasada para o trabalho e o meu guarda-chuva trava uma batalha desigual com o vento. Enquanto caminho para o carro, penso nas tarefas do dia e na lista de coisas a fazer antes do Natal: comprar presentes, enviar e-mails, desejar boas festas, deixar o trabalho organizado antes de entrar de férias.
Entro no carro em piloto automático e ligo a rádio. Aos primeiros acordes de “All I Want for Christmas” começo a sorrir. Sou levada de volta aos Natais em família, às gargalhadas à volta da mesa de jantar e aos excessos de comida. Escusado será dizer que vou a conduzir até ao trabalho mais animada e planeio todas as compras de Natal enquanto trauteio as músicas festivas que passam na rádio.
Mas afinal, como é que a música tem o poder de invocar memórias e emoções como a nostalgia?
A explicação está no sistema límbico, a rede de estruturas cerebrais que regula as emoções e as memórias, e que é crucial no processamento de estímulos auditivos como a música. É nele que se encontram a amígdala, o hipocampo e o hipotálamo, localizados nos lobos temporais e nas regiões profundas do cérebro. A amígdala regula as emoções; o hipocampo armazena as memórias; e o hipotálamo atua como um elo entre o sistema nervoso e o sistema endócrino, controlando respostas fisiológicas associadas às emoções, como o ritmo cardíaco. Assim, quando ouvimos uma música familiar, estas três áreas trabalham em conjunto: a amígdala processa as emoções associadas à experiência, o hipocampo liga essa emoção a memórias, e o hipotálamo desencadeia as reações físicas que sentimos. É por isso que uma simples canção pode transportar-nos, em segundos, para uma noite de Natal de há vinte anos.
Além disso, ouvir música estimula a libertação de dopamina, um neurotransmissor que faz parte do sistema de recompensa e que induz uma sensação de prazer e felicidade. É este mecanismo que nos faz sorrir, bater o pé, ou até arrepiar quando ouvimos uma melodia que nos emociona. A música tornou-se uma forma de comunicação usada para invocar emoções e memórias. Este poder é tão forte que até tem aplicações terapêuticas. Em pessoas com doença de Alzheimer, a terapia musical tem ganho popularidade pelos seus potenciais benefícios na evocação de memórias e melhoria do bem-estar.
Por isso, da próxima vez que ouvires “All I Want for Christmas”, lembra-te de explicar a alguém o poder que a música tem no nosso cérebro. E, quem sabe, oferecer uma playlist este Natal como forma de te expressares?




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