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O cérebro votante

  • Foto do escritor: Nuno Dinis Alves
    Nuno Dinis Alves
  • 15 de jan.
  • 2 min de leitura

A 18 de janeiro somos novamente convocados a votar, desta vez para escolher o próximo Presidente da República. Em qualquer eleição — mas sobretudo numa eleição presidencial, marcada pelo elevado número de candidatos, pelo seu caráter apartidário, e pela ausência de um presidente recandidato — muitos de nós colocam as mesmas perguntas: em quem vou votar? Quem será o candidato ou a candidata mais competente para o cargo? Com quem mais me identifico? À medida que a data da votação se aproxima e aumenta a exposição aos candidatos e aos seus perfis, às suas posições, convicções e ideias para o país, o nosso sentido de voto vai-se tornando mais definido. O processo de escolha e decisão é melhor compreendido à luz da neurociência.


Estudos científicos demonstram que a decisão de voto é fortemente influenciada por emoções, mais do que por uma análise puramente racional da ideologia e das propostas dos candidatos. Ao avaliar um candidato, o cérebro recorre a circuitos e regiões associadas à empatia, à esperança e à confiança. Elementos como o tom de voz, a expressão facial, a postura ou o estilo comunicacional podem desencadear respostas emocionais rápidas. Neste contexto, a amígdala — uma estrutura cerebral envolvida no processamento emocional, particularmente do medo e da ameaça — pode ser ativada, influenciando decisivamente a perceção que fazemos de um candidato. Em paralelo, sub-regiões do córtex pré-frontal participam na análise e avaliação da informação. Ainda assim, a ativação desta região é menos dominante na tomada de decisão por um candidato.


A neurociência também tem uma palavra a dizer sobre a abstenção, geralmente menor na população mais idosa. Este padrão pode estar relacionado, entre outros fatores, com diferenças ao longo da vida em circuitos neuronais associados com o sentido de responsabilidade, planeamento e avaliação de risco, promovendo comportamentos mais cautelosos e orientados ao dever cívico.


Votar é também uma experiência recompensadora. O exercício do direito de voto pode ativar circuitos neuronais de recompensa e a libertação do neurotransmissor dopamina (a molécula que sinaliza recompensas no cérebro), reforçando a sensação de participação e de contributo para a vida coletiva. Do ponto de vista do cérebro — e da democracia — votar (re)compensa.


No dia 18, vote e lembre-se de que a cruz que coloca no boletim de voto resulta de um processo complexo, no qual a razão e a emoção interagem de forma contínua.

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