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Inteligência artificial: o que nos pode ensinar sobre neurociências?

  • Foto do escritor: Beatriz Barros
    Beatriz Barros
  • 30 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Robôs humanóides, carros autónomos e casas inteligentes: tudo isto era coisa de filme de ficção científica há 20 anos, mas hoje, com o poder da inteligência artificial, está cada vez mais próximo da realidade. No entanto, estes sistemas inteligentes são também alvo de desconfianças, críticas e até medos.


A Inteligência Artificial (IA) está na ordem do dia, mas a ideia não é de agora. A expressão surgiu nos anos 50 para descrever sistemas que imitam a forma como o ser humano pensa e se comporta. As redes neuronais artificiais são um exemplo de ferramenta de IA muito poderosa inspirada no cérebro. À semelhança do que acontece no nosso cérebro, os “neurónios artificiais” – que são uma versão mais simples das nossas células cerebrais – organizam-se em camadas que se ligam entre si, criando redes complexas capazes de aprender tarefas, resolver problemas e tomar decisões. Estas redes estão por detrás de muitas tecnologias que usamos no nosso dia a dia, como os assistentes de voz virtuais; o famoso ChatGPT, uma espécie de sabe-tudo com resposta (nem sempre certa) para tudo; e os anúncios personalizados nas redes sociais.


Mas, entre o cérebro e a IA, é muito mais aquilo que os separa do que aquilo que os une. Por exemplo, embora a IA resolva problemas difíceis de matemática em poucos segundos, uma tarefa tão fácil como apertar os atacadores pode ser um verdadeiro desafio. As necessidades energéticas são também muito diferentes: enquanto o nosso cérebro gasta cerca de 20 watts quando pensamos, a IA pode precisar de biliões de watts para imitar o mesmo pensamento. Para além disso, as redes neuronais artificiais são “caixas pretas”, isto é, ainda não é clara a base do seu funcionamento nem as decisões que tomam, o que limita a sua utilização em áreas de risco como saúde ou finanças. Estas e outras razões tornam improvável que, num futuro próximo, sejamos totalmente substituídos por computadores.


Apesar das diferenças, as redes neuronais artificiais são a imitação mais próxima que temos do nosso cérebro. E se um dia o cérebro inspirou a IA, hoje, estes sistemas ensinam-nos muito sobre neurociências. As tecnologias de visão por computador, que estão por detrás de sistemas de reconhecimento facial em telemóveis, aeroportos e até casinos, permitiram-nos compreender melhor como o nosso cérebro processa aquilo que os nossos olhos veem. Mais, as redes neuronais artificiais conseguem analisar grandes quantidades de dados cerebrais, como imagens de ressonância magnética, encontrando padrões que dificilmente seriam reconhecidos por nós e que podem explicar uma função cerebral ou uma doença.


A IA abriu-nos as portas para um “admirável mundo novo” de possibilidades que até então viviam apenas na nossa imaginação. As desconfianças, críticas e medos que trazem consigo são válidos e devem ser discutidos, mas, sendo um produto da nossa própria inteligência, a IA será aquilo que fizermos dela. Assim, o futuro passa por fazer escolhas responsáveis quando usamos estas tecnologias, tendo-as como nossas aliadas ao invés de substitutas, e criar regras universais para um uso mais controlado e seguro.

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