Como uma boa dose de natureza pode proteger o cérebro
- Beatriz Barros

- 19 de jun.
- 2 min de leitura
Entre parques naturais, quilómetros de ecovias, e parques urbanos, é no Minho que encontramos algumas das paisagens mais verdes do país. Mais que a sua beleza natural, os espaços verdes são locais de descanso, lazer, e desporto, com benefícios para a saúde física e mental de quem deles tira proveito.
“Vou receitar-lhe duas horas semanais de natureza”. Inicialmente, pode causar estranheza, mas a “prescrição de natureza” para a saúde mental já é uma recomendação reconhecida pela comunidade médica internacional, cada vez mais suportada pela ciência. A exposição regular a espaços verdes e azuis promove o bem-estar físico e mental, ajuda a controlar os níveis de stress, e pode reduzir a probabilidade de uso de medicação para a depressão.
Os mecanismos biológicos por detrás destes efeitos ainda são pouco compreendidos, mas vários estudos mostram alterações funcionais em áreas cerebrais ligadas à regulação emocional. Um estudo publicado na revista científica Molecular Psychiatry, em 2022, comparou a atividade cerebral de 63 participantes antes e depois de uma caminhada de uma hora na floresta ou numa rua movimentada. Os caminhantes da natureza, mas não os da cidade, revelaram uma redução significativa da atividade na amígdala, o centro emocional do cérebro responsável pela deteção de ameaças e pela regulação da resposta ao stress. Outros estudos apontam também para a diminuição dos níveis de cortisol, a hormona do stress, após o contacto com a natureza.
Para além da regulação emocional, a exposição a ambientes naturais parece potenciar funções cognitivas, como a capacidade de concentração e a memória. O nosso quotidiano exige de nós constante atenção direcionada, um tipo de atenção que rapidamente se esgota e nos cansa. Segundo a Teoria do Restauro da Atenção, os elementos da natureza evocam a atenção involuntária, um estado de fascínio suave que permite restabelecer a atenção direcionada e “refrescar as ideias”.
No entanto, viver perto de áreas verdes não é suficiente. Um estudo da Universidade do Minho, em colaboração com o Instituto de Ciências da Saúde e o Laboratório da Paisagem, analisou indicadores de saúde e qualidade de vida de 501 habitantes das proximidades de parques urbanos em Guimarães. Os investigadores concluíram que os benefícios dependem da utilização ativa e regular destes espaços, com uma associação positiva entre a frequência de visitas e a melhoria dos níveis de stress e da qualidade do sono.
Passar tempo na natureza é uma das formas mais simples de relaxar a mente e cuidar da saúde do cérebro. Por isso, se lhe faltavam motivos para caminhar no parque ao final do dia ou para se aventurar pelos trilhos do Gerês nas próximas férias, aqui os tem. Porque o melhor remédio para o cérebro pode estar, afinal, no parque ao lado de casa.




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