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Christmas Tree Decorations

Com a aproximação do Natal, as ruas enchem-se de luzes e as rádios tocam músicas familiares que despertam emoções e memórias. Mas o que faz com que uma simples canção tenha o poder de nos transportar no tempo? A resposta está no cérebro, mais precisamente no sistema límbico, onde a música e a emoção se encontram.

 

É uma manhã fria e chuvosa de novembro. Estou atrasada para o trabalho e o meu guarda-chuva trava uma batalha desigual com o vento. Enquanto caminho para o carro, penso nas tarefas do dia e na lista de coisas a fazer antes do Natal: comprar presentes, enviar e-mails, desejar boas festas, deixar o trabalho organizado antes de entrar de férias.

 

Entro no carro em piloto automático e ligo a rádio. Aos primeiros acordes de “All I Want for Christmas” começo a sorrir. Sou levada de volta aos Natais em família, às gargalhadas à volta da mesa de jantar e aos excessos de comida. Escusado será dizer que vou a conduzir até ao trabalho mais animada e planeio todas as compras de Natal enquanto trauteio as músicas festivas que passam na rádio.

Mas afinal, como é que a música tem o poder de invocar memórias e emoções como a nostalgia?

 

A explicação está no sistema límbico, a rede de estruturas cerebrais que regula as emoções e as memórias, e que é crucial no processamento de estímulos auditivos como a música. É nele que se encontram a amígdala, o hipocampo e o hipotálamo, localizados nos lobos temporais e nas regiões profundas do cérebro. A amígdala regula as emoções; o hipocampo armazena as memórias; e o hipotálamo atua como um elo entre o sistema nervoso e o sistema endócrino, controlando respostas fisiológicas associadas às emoções, como o ritmo cardíaco. Assim, quando ouvimos uma música familiar, estas três áreas trabalham em conjunto: a amígdala processa as emoções associadas à experiência, o hipocampo liga essa emoção a memórias, e o hipotálamo desencadeia as reações físicas que sentimos. É por isso que uma simples canção pode transportar-nos, em segundos, para uma noite de Natal de há vinte anos.

 

Além disso, ouvir música estimula a libertação de dopamina, um neurotransmissor que faz parte do sistema de recompensa e que induz uma sensação de prazer e felicidade. É este mecanismo que nos faz sorrir, bater o pé, ou até arrepiar quando ouvimos uma melodia que nos emociona. A música tornou-se uma forma de comunicação usada para invocar emoções e memórias. Este poder é tão forte que até tem aplicações terapêuticas. Em pessoas com doença de Alzheimer, a terapia musical tem ganho popularidade pelos seus potenciais benefícios na evocação de memórias e melhoria do bem-estar.

 

Por isso, da próxima vez que ouvires “All I Want for Christmas”, lembra-te de explicar a alguém o poder que a música tem no nosso cérebro. E, quem sabe, oferecer uma playlist este Natal como forma de te expressares?

Tatiana P Morais, SfN – Minho Chapter

Pumpkins With Flowers

Engolir em seco porque começou setembro não aperta apenas a amígdala na garganta, mas ativa também a amígdala cerebral, a parte do nosso cérebro que é responsável por gerir emoções.

 

Setembro marca o reinício: o começar da escola, o início de um novo percurso profissional ou o regressar ao trabalho. Novos ciclos, novas pessoas, novas rotinas e, com isso, vários sentimentos: excitação, ansiedade, entusiasmo, medo e curiosidade. Grande parte destas emoções nasce e é processada no chamado centro emocional do nosso cérebro, a amígdala.

 

A amígdala faz parte de uma região a que chamamos sistema límbico, sendo este o centro de comando das emoções no nosso cérebro. É nessa região que sentimentos como o medo, a motivação, o prazer e a ansiedade são desenvolvidos e processados. A amígdala tem um papel importante neste sistema, funcionando como um alarme interno. Quando expostos a mudanças de hábitos, como uma nova turma ou um novo emprego, esta zona do cérebro é ativada. Mesmo que, racionalmente, saibamos que não há perigo real, a amígdala pode interpretar o desconhecido como um possível risco, desencadeando sentimentos como ansiedade e stress. Isto explica aquele engolir seco enquanto olhamos o novo edifício ou estamos perante novos colegas.

 

Como Acalmar a Amígdala e Gerir a Ansiedade

Uma das características especiais do nosso cérebro é ser muito moldável, e por isso há estratégias que nos podem ajudar a reduzir a reatividade da amígdala e facilitar este período de transição:

  • Respiração consciente: exercícios de respiração profunda ativam uma parte do cérebro que ajuda a acalmar e responder ao stress, o sistema nervoso parassimpático.

  • Preparação gradual: retomar a rotina aos poucos, como ajustar os horários de sono antes do regresso, reduz o impacto das mudanças.

  • Falar sobre estes sentimentos: nomear as emoções ativa a parte mais racional do cérebro, o córtex pré-frontal, e ajuda a regular a resposta emocional da amígdala.

 

Compreender o que se passa dentro do nosso cérebro, conhecer as várias regiões que o compõem e como as podemos regular pode ajudar-nos a lidar melhor em fases de muitas emoções.

 

Setembro é um mês de recomeços, e isso também é vivido no cérebro que precisa processar e ajustar novos contextos, rotinas e sentimentos. É desafiante mas é também sinal de que algo importante está a começar.

Andreia Pinho, SfN Minho Chapter

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